
Apesar da minha severa implicância com Freud e suas teorias da castração, devo admitir que os homens podem alegar a seu favor a existência factual de uma tradição um tanto quanto significativa. Nós mulheres que bradamos por um lugar ao sol devemos ainda esperar algumas gerações para perceber algum avanço nas relações de poder. O mundo ainda é bastante a favor dos machos e digo isso pensando nas expressões da cultura e da arte. Inspirada por Walter Benjamin, posso arriscar a dizer que a história das mulheres ainda não foi contada. È razoável pensar que mulheres fantásticas existiram e mudaram o curso da história. O fato é que algumas forças impediram que essas narrativas viessem à tona. Sou mais pessimista que os filósofos judeus, infelizmente são eles, os danadinhos, que perpetraram a crença na sua própria superioridade através da literatura, das artes e do cinema. Para as mulheres, pelo menos até então, (que me perdoem as feministas) sobrou o ditado digno de piedade: atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher!. Quando falo de cultura penso nesse caldo gelatinoso no qual reafirmamos nossas crenças e medos. Dizem as más línguas (Platão, por exemplo) que os discursos de Péricles eram feitos pela sua esposa, a sabichona Aspásia. O engraçado é que isso é motivo de chacota do grande estadista ateniense. Outras lendas povoam o imaginário, mas cá entre nós o ponto de referência é sempre dos meninos.
Se hoje a situação parece dar sinal de mudança não podemos dizer o mesmo de cinqüenta anos atrás. A questão melindrosa é que nós mulheres de 2009 não vivemos sob a simbologia do século XXI. Pelo contrário, fomos educadas e criadas por mães e pais nascidos nas décadas de 50 ou 60. Fatos marcantes do século XX foram determinados por atores masculinos. Posso conjeturar que Eva Braun fosse uma mulher bem malvadinha, mas seu grau de excelência na escola dos terrores está infinitamente abaixo do seu marido estimado. Quem entrou para a história? Ele, o bigodinho anti-semita.
No cinema em geral a mimesis é perfeita e as coisas caminham segundo o paradigma cromossômico do XY. Alguns exemplos retóricos: Don Vito Corleone (Poderoso Chefão), Rocky Balboa, Falcão, Jece Valadão, Joe Kidd, Alex de Large (Laranja Mecânica), Tony Montana (Scarface), Travis Bickle (Táxi Driver), Dave (2001), William Munny (Os imperdoáveis), O leão macho (O rei Leão), King Kong (porque não era uma fêmea heim?), ET, O Exterminador do Futuro, Blade Runner, Karate Kid, Jerry Maguire, Touro Indomável, Doze Homens e uma Sentença, etceteras infinitas.
Veja bem, não tenho a intenção de criticar os filmes, pelo contrário, quase todos os supracitados são bons, mas são estrelados por homens. Alguém já imaginou uma versão feminina do Falcão (Stallone)? Quando viro o meu colar eu penso no meu caminhão!
Fato é que existem exceções e querem saber, as tais são as melhores, de mais alto nível cinematográfico. Ainda que tenha existido a Dama do Lotação aqui nos trópicos, junto com Tieta do Agreste e as insuportáveis Helenas de Manoel Carlos, houve alguém que nada mais fez durante sua carreira do que dar voz às mulheres. Esse sujeito se chamava Ingmar Bergman. Em minha opinião interesseira trata-se do mais genial de todos os cineastas. Não que todos os outros não fossem bons, mas Bergman tem uma essência distinta. Por isso, uso esse meu ínfimo espaço, de raros leitores, para lembrar do que não pode ser esquecido. Persona, Gritos e Sussurros, Morangos Silvestres, Sétimo Selo, Cenas de um casamento, Da vida das marionetes, Fanny e Alexander são filmes imprescindíveis para todas e todos aqueles que gostam de cinema e que, por acaso, apreciam o pensamento.
Se hoje a situação parece dar sinal de mudança não podemos dizer o mesmo de cinqüenta anos atrás. A questão melindrosa é que nós mulheres de 2009 não vivemos sob a simbologia do século XXI. Pelo contrário, fomos educadas e criadas por mães e pais nascidos nas décadas de 50 ou 60. Fatos marcantes do século XX foram determinados por atores masculinos. Posso conjeturar que Eva Braun fosse uma mulher bem malvadinha, mas seu grau de excelência na escola dos terrores está infinitamente abaixo do seu marido estimado. Quem entrou para a história? Ele, o bigodinho anti-semita.
No cinema em geral a mimesis é perfeita e as coisas caminham segundo o paradigma cromossômico do XY. Alguns exemplos retóricos: Don Vito Corleone (Poderoso Chefão), Rocky Balboa, Falcão, Jece Valadão, Joe Kidd, Alex de Large (Laranja Mecânica), Tony Montana (Scarface), Travis Bickle (Táxi Driver), Dave (2001), William Munny (Os imperdoáveis), O leão macho (O rei Leão), King Kong (porque não era uma fêmea heim?), ET, O Exterminador do Futuro, Blade Runner, Karate Kid, Jerry Maguire, Touro Indomável, Doze Homens e uma Sentença, etceteras infinitas.
Veja bem, não tenho a intenção de criticar os filmes, pelo contrário, quase todos os supracitados são bons, mas são estrelados por homens. Alguém já imaginou uma versão feminina do Falcão (Stallone)? Quando viro o meu colar eu penso no meu caminhão!
Fato é que existem exceções e querem saber, as tais são as melhores, de mais alto nível cinematográfico. Ainda que tenha existido a Dama do Lotação aqui nos trópicos, junto com Tieta do Agreste e as insuportáveis Helenas de Manoel Carlos, houve alguém que nada mais fez durante sua carreira do que dar voz às mulheres. Esse sujeito se chamava Ingmar Bergman. Em minha opinião interesseira trata-se do mais genial de todos os cineastas. Não que todos os outros não fossem bons, mas Bergman tem uma essência distinta. Por isso, uso esse meu ínfimo espaço, de raros leitores, para lembrar do que não pode ser esquecido. Persona, Gritos e Sussurros, Morangos Silvestres, Sétimo Selo, Cenas de um casamento, Da vida das marionetes, Fanny e Alexander são filmes imprescindíveis para todas e todos aqueles que gostam de cinema e que, por acaso, apreciam o pensamento.



