
Vamos concordar que natal e reveillon são daqueles tipos de comemorações das quais ateu nenhum consegue escapar. Pois bem, até os mais pessimistas entre nós tomou conhecimento da parafernália do fim do ano. E vieram as comilanças, os presentinhos, Tim-Tim pra lá e pra cá. Bebemos de tudo, um verdadeiro carnaval alcoólico antecipado. Misturamos espumantes com cerveja e com o Scott que o amigo do peito trouxe para a festa. Demos um presente legal e ganhamos uma lembrancinha cafona ou nem mesmo fomos lembrados, tudo bem, afinal festa é festa. Pernil pra todo lado, farofas e arroz com passas. Como diz o meu amigo Paulo do Larica Total, “passas é a cara do fim do ano”. O meu natal foi com a família e com as fofocas naturais que esse gênero implica. Garantidas foram as gargalhadas com o lendário pai e isso já valeu o 25 de dezembro. Nasceu o menino Jesus palhaço entre nós. Eu e o pai, ele lembrando as frases de Mazzaropi, eu, as de Woody Allen. Já no ano novo, uma surpresa. Enquanto todos faziam a contagem regressiva eu me perdi na tentativa de abrir meu espumante de 35,00 reais. Literalmente, passei a virada às voltas com a rolha de uma garrafa. Estava concentrada no mecanismo, olhava, tentava e, de repente, escuto os gritos: “feliz 2010, feliz ano novo”. Emendei a solução e cheguei meio sem graça para cumprimentar a todos. O legal de tudo é a mesmice. Os votos formam uma cantiga de rodinha. Fico imaginado como seria se passássemos a virada com os inimigos, os públicos e os particulares. Imagina que maravilha: “Oi, eu quero que tenhas um péssimo ano, daqueles pra entrar pra a história”. Não, meu ano-novo foi tradicional, contou somente com grandes amigos e colegas. Curioso é que não fiz nenhum pedido, nenhuma promessa e nem sequer passei perto de reflexões existenciais. Tirando o fato de que essa já é minha profissão e eu quero mais é esquecer de pensar, esse fim de ano eu me ocupei da rolha da garrafa e somente dela. O espumante foi minha exclusividade, era ele e eu, um para o outro, sem interferências. E como eu saboreei o danado! Aquelas bolhinhas me enchem de felicidade, autêntica. Queria publicamente desejar um ano bastante generoso para todos os amigos e também para os “genboa” (gente boa), como dizia um tio meu quando bebia demais. E por favor, sem deslizamentos em praia bonita, enchentes e crimes passionais, vamos só tocar o barco e zelar pelos nossos pares de sangue e de boas idéias.



Um comentário:
Tb virei o ano com espumante e sem grandes reflexões, foi leve como as bolhinhas...
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