Hoje estive pensando em Deus. Antes que a afirmação seja vista sob o aspecto pessoal já adianto que o caráter real de tal pensamento não foi de origem mística. Para o alívio dos chegados e desapontamento dos meus familiares continuo cética, mas algo anda incomodando minha cabeça caduca. Enquanto estou sozinha em casa ou com os amigos para os quais essa questão não tem lá tanta importância meu ateísmo vai de vento em popa, sem dúvidas, arrependimento, reconsideração ou coisa que o valha. O ponto é: até onde eu posso ir com essa perspectiva? Verdade seja dita: proclamar-se ateu é quase como se assumir um ser amoral e vadio e há algo constrangedor nessa posição. Aceitamos as opiniões mais bizarras e estapafúrdias no dia a dia. Ouvimos sem dar gargalhadas idéias tais como reencarnação, purgatório, beatitude e até consideramos o caríssimo Papa como um interlocutor possível em questões morais, por mais estranho que isso possa parecer. As pessoas em geral acreditam na existência de espíritos, na vida após a morte, no arrebatamento, fazem leituras literais da Bíblia, doam dinheiro para instituições corruptas e acreditam em suas mais variadas crenças. Eu, particularmente, nunca tive a coragem de desmentir publicamente algum religioso, não ao menos sem lhe dar ampla possibilidade de defesa. Talvez por saber que a razão humana tenha seus limites e que todo conhecimento possa vir a ser questionado, acabamos por aceitar certas sandices em nome do perspectivismo, palavrinha tão cara a nós modernos! Não sou daquele tipo de ateu que vai se abrigar nos confortáveis braços da ciência, ela própria comporta sua dose de crença. Mas as coisas deveriam ser analisadas com mais cuidado. Relativismo absoluto é uma idéia filosófica que parece beneficiar muito mais aos dogmáticos da religião do que libertar-nos do domínio tirânico da ciência. Somos tolerantes, interessamo-nos pelo aspecto cultural das religiões e eu, pessoalmente, até atribuo uma série de pontos positivos às religiões, ou pelos a algumas delas. Mas a questão é que, geralmente, alguém que se apresente como ateu não é tolerado nem respeitado. Ora, ficamos na desvantagem e penso até que nos escondemos dos outros para não sofrer retaliações. Se os religiosos resolverem exterminar os ateus, coisa que acredito não lhes interessa muito, já que estão mais ocupados em exterminar uns aos outros, não chegaria nem a ser um grande acontecimento. Somos poucos e dentre os raros ateus é ainda menor o número daqueles que proclamam publicamente sua opinião. O absurdo é que quem deveria dar explicações da sua fértil imaginação são os religiosos. É como se eu dissesse que a lua é feita de queijo gorgonzola e condenasse à forca todos que duvidassem de mim. Vamos e venhamos, tenham a religião quiser, adorem o totem que mais lhe agradarem, mas me deixem não acreditar em tantas doidices. Deus é no máximo um signo lingüístico, um afeto imaginário, um consolo da miséria ou o fruto de uma experiência mística e epifânica que só pertence a quem vivenciou o fato incomunicável da suposta existência divina. Que fique claro, eu respeito os crentes, e esse é todo o roteiro da estória.
É. Um tanto de palavras, termos estranhos,q eu sei encerram coisas mais amplas por trás, mas seu texto me fez relembrar meus pensamentos a respeito do tema, religião. Pra minha família eu sou uma atéia (uma das maiores procupações da minha mãe, minha sábia mãe) mas sempre frizo q não, sou agnóstica, diferente de ateísmo. Acho uma tempestade uma coisa tão louca, olho uma árvore e não consigo parar de pensar no mistério daquela existência, igualmente uma pedra, cara uma PEDRA, q coisa mais louca.Essa tal de natureza toda, inclusive nós também no meio disso tudo. O problema é q todo esse mistério não me faz rezar, eu não rezo. Acho q eu queria conseguir rezar e deve ser isso q preocupa minha mãe, nada me salva. só eu mesma. Li ontem: como um equilibrista me equilibro no meu próprio desequilíbrio. Bom , de certo mesmo é q tamos aí. Bjão. Vanusa
É isso, concordo plenamente, como diz um personagem da tv globo. Não lembrei de escrever isso, da árvore, e das epifanias do mundo.. Seguindo a propriedade dos termos, não sou atéia, nem religiosa, mas prezo o mistério, a metafísica das cousas, como diz o lusitano. Mui diferente de acreditar em vampiros, ou reencarnação. Mineiro ateu é uma aberração...rs..
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2 comentários:
É. Um tanto de palavras, termos estranhos,q eu sei encerram coisas mais amplas por trás, mas seu texto me fez relembrar meus pensamentos a respeito do tema, religião. Pra minha família eu sou uma atéia (uma das maiores procupações da minha mãe, minha sábia mãe) mas sempre frizo q não, sou agnóstica, diferente de ateísmo. Acho uma tempestade uma coisa tão louca, olho uma árvore e não consigo parar de pensar no mistério daquela existência, igualmente uma pedra, cara uma PEDRA, q coisa mais louca.Essa tal de natureza toda, inclusive nós também no meio disso tudo.
O problema é q todo esse mistério não me faz rezar, eu não rezo. Acho q eu queria conseguir rezar e deve ser isso q preocupa minha mãe, nada me salva. só eu mesma. Li ontem: como um equilibrista me equilibro no meu próprio desequilíbrio. Bom , de certo mesmo é q tamos aí. Bjão. Vanusa
É isso, concordo plenamente, como diz um personagem da tv globo. Não lembrei de escrever isso, da árvore, e das epifanias do mundo.. Seguindo a propriedade dos termos, não sou atéia, nem religiosa, mas prezo o mistério, a metafísica das cousas, como diz o lusitano. Mui diferente de acreditar em vampiros, ou reencarnação. Mineiro ateu é uma aberração...rs..
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