Durante certa época da vida tomei conhecimento das idéias pessimistas. Logo vieram os bordões aplicados ao cotidiano: "a vida é um fardo", "é um negócio que não paga seus custos," "a felicidade é a ausência de sofrimento" etc... Também conheci meus companheiros de luta: Pessoa, Machado de Assis, Caio Fernando Abreu, Sterne, Cartola... Continuo admirando a prosa dos chegados, talvez porque para eles o pessimismo era somente o ínicio da conversa, motivo de arte e no fundo o tratavam como variação sobre o mesmo tema que é a vida! Já quando se tratava de filosofia tudo era bastante fundamentado e parecia fazer mais sentido a cada desilusão da vida madrasta. No entanto, por melhor que fosse, enquanto consolo na miséria, o pessimismo apresentava uma importante falha ao ignorar os incontáveis exemplos da vida ordinária que desmentem o tempo todo os adágios moribundos. Schopenhauer que me perdoe o entusiasmo, mas se os níveis de serotonina não estiverem em baixa e os óculos forem bem ajustados é mais que possível ver a vida com leveza. (segue um exemplo vivo abaixo) Não sei se a alegria pode ser a melhor fonte da boa arte, o contrário parece mais provável. O lugar comum é o da desgraça, mas existem bons roteiros que preferem dizer um "sim" à existência. Assim, entre a desgraça e a abulia, entre o "never more" e o "happy end" deve haver um modo mais realista de ver a encenação.
A propósito do assunto, acabo de voltar de uma viagem revigorante. Os quatro dias em Poços de Caldas confirmaram a posição defendida logo acima. Cidade muito charmosa e bem cuidada que compensa o esforço em percorrer os quase quinhentos quilômetros que a separam de Belo Horizonte. Não bastasse as belezas naturais e a arquitetura da cidade (relato esse que deixo a cargo do geógrafo), conheci algumas pessoas interessantes, gente da maior e da menor valia. Aqui assumo o direito de emitir juízos de valor que, por mais fortes que sejam, a mim não me parecem exagerados. A de maior valia é mulher, mãe, viúva e professora aposentada. Tem as posições mais inusitadas para o seu perfil. Quem apenas lesse suas credenciais, as tais apresentadas por mim, dedicaria-lhe certos adjetivos. Dentre eles vejamos os possíveis: conservadora, pacífica, amável, avessa à mudanças, dedicada, preocupada e moralista. Alguns desses termos lhe caem bem, outros nem tanto. De alma leve e com muita estrada percorrida, se abstêm de qualquer julgamento moral ou se o faz logo em seguida solta uma risada indescritível que ameniza sua perspectiva, como quem dissesse: "talvez seja isso!". O seu valor está exatamente nessa incerteza e na tolerância que dela provêm. Ao não adotar posições extremadas permite a aproximação de outras perspectivas, não sem ironia é claro. O bordão da sua existência, no meu modo de ver, é o deixar viver, não sem crítica ou reflexão, mas com a tranquilidade de quem só se preocupa com está em seu alçance. Para celebrar o contraste com tudo isso me esbarrei com uma pessoa de menor valia. De burrice incontestável e estado de consciência alterado somente conseguiu mostrar sua intolerância e decadência. Por motivos retóricos e a fim de não estragar o relato de hoje, encerro logo a descrição da alma rastejante. Continuo e já vou terminando. Poder perceber as coisinhas da vida, boas ou ruins, é privilégio de todos. Só pelas chateações já vale a pena correr o risco e defenderei essa posição até ter a certeza de que depois da morte vão me encaminhar para o paraíso... ou para uma cidade como Poços de Caldas.
A propósito do assunto, acabo de voltar de uma viagem revigorante. Os quatro dias em Poços de Caldas confirmaram a posição defendida logo acima. Cidade muito charmosa e bem cuidada que compensa o esforço em percorrer os quase quinhentos quilômetros que a separam de Belo Horizonte. Não bastasse as belezas naturais e a arquitetura da cidade (relato esse que deixo a cargo do geógrafo), conheci algumas pessoas interessantes, gente da maior e da menor valia. Aqui assumo o direito de emitir juízos de valor que, por mais fortes que sejam, a mim não me parecem exagerados. A de maior valia é mulher, mãe, viúva e professora aposentada. Tem as posições mais inusitadas para o seu perfil. Quem apenas lesse suas credenciais, as tais apresentadas por mim, dedicaria-lhe certos adjetivos. Dentre eles vejamos os possíveis: conservadora, pacífica, amável, avessa à mudanças, dedicada, preocupada e moralista. Alguns desses termos lhe caem bem, outros nem tanto. De alma leve e com muita estrada percorrida, se abstêm de qualquer julgamento moral ou se o faz logo em seguida solta uma risada indescritível que ameniza sua perspectiva, como quem dissesse: "talvez seja isso!". O seu valor está exatamente nessa incerteza e na tolerância que dela provêm. Ao não adotar posições extremadas permite a aproximação de outras perspectivas, não sem ironia é claro. O bordão da sua existência, no meu modo de ver, é o deixar viver, não sem crítica ou reflexão, mas com a tranquilidade de quem só se preocupa com está em seu alçance. Para celebrar o contraste com tudo isso me esbarrei com uma pessoa de menor valia. De burrice incontestável e estado de consciência alterado somente conseguiu mostrar sua intolerância e decadência. Por motivos retóricos e a fim de não estragar o relato de hoje, encerro logo a descrição da alma rastejante. Continuo e já vou terminando. Poder perceber as coisinhas da vida, boas ou ruins, é privilégio de todos. Só pelas chateações já vale a pena correr o risco e defenderei essa posição até ter a certeza de que depois da morte vão me encaminhar para o paraíso... ou para uma cidade como Poços de Caldas.




3 comentários:
Ah... que bonitinho... vou mostrar pra minha mãe...rs.
Poderia ter falado mais da rastejante hein..heheh.. Aqui não precisa se preocupar em ser "feliz no verbo", pq está segura em sua casa, sem o perigo de um 38 na cuca..rs.
Bjão Vê! Fico feliz de Poços ter lhe causado tantas impressões, principalmente minha mãe que lhe estima tanto.
Mostrei o texto para minha mãe. Ela adorou!! Ficou boba de ver como você escreve bem!
Disse:
- É por isso que toda vida eu ensinei para vocês que deveriam escrever bem, olha como ela escreve bem! É muito bonito quem escreve bem!
Assino embaixo:
Cinelli Tardioli Mesquita (rs)
Eita... Adorei o texto. Perspectiva bem diferente da minha, na mesma belíssima cidade!
Ser rastejante eu presencie né? rs
beijo!
Postar um comentário