sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Sobre a morte

Noite, foto de Vê


A morte, além da simples putrefação, é que pode levar o homem a refletir sobre a existência. Ela, que parece ser um fato, perde-se em finas nuanças quando colocada diante da finitude. O fato da morte vale mais pela sua espera inglória e certa do que pela perda efetiva dos sentidos e o apodrecimento da carne. Eis a questão, o dado material torna-se quase rarefeito diante do sentido atribuído a vida. Não se diz: perdi um conjunto de células e tecidos, mas: perdi um amigo! É diante de uma caveira que Hamlet chega ao nível mais profundo do pensamento. "Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre / Em nosso espírito sofrer pedras e setas / Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja, / Ou insurgir-nos contra um mar de provocações / E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais. / Dizer que rematamos com um sono a angústia / E as mil pelejas naturais-herança do homem: / Morrer para dormir... é uma consumação Que bem merece e desejamos com fervor [...]" 3.1.108. Hamlet. Montaigne, um filósofo que dedicou à questão da morte dois de seus Ensaios, viveu ele próprio, a experiência dolorosa e profunda que deu origem a uma mudança fundamental de sua vida: a morte de seu melhor amigo, Etienne La Boétie. Perguntado sobre o porquê de tamanha amizade e afeto, Montaigne respondeu: "Parce que c'etait lui" (Porque era ele). Parce que c'etait moi" (Porque era eu). A experiência diante da morte tem a singularidade de despertar um outro problema, o significado dos parcos dias que se vive. Entre os gregos a alegoria da morte tinha outro significado. A mãe de Aquiles preferiu uma vida curta e gloriosa para o filho do que vê-lo passar seus dias na inteira mediocridade. Não sei se optaria pelo mesmo caminho, certo é que as vidas curtas e bem orientadas entram para o livro das coisas que merecem ser contadas. Nascer, crescer, procriar... não é matéria de um romance. Nascer, lutar e fazer algo de ti impor-se ao mundo, isso vale a pena não esquecer! Portanto, vive-se bem, mesmo que pouco; vive-se de modo mediano, embora a morte chegue apenas aos 90 anos. Não queiramos tudo: vida longa e gloriosa! Outra questão se insurge: o que é viver bem? Qual o melhor modo de vida? Meus caros, talvez seja este o cálculo mais difícil, a ponderação mais auspiciosa. Cuidemos de nós mesmos! A tarefa é semelhante aquela de Sísifo, inglória, porém necessária para quem já a iniciou. Seria um castigo a finitude? Saramago pensou sobre isso ao escrever seu: Intermitências da morte. Segundo nosso autor, a morte resolvera entrar de férias, sem tempo para voltar. Como fazê-lo? Sem a morte, como proceder? Será a vida dotada de mesmo sentido e valor se ela, a carrancuda, não existisse? De Homero a Woody Allen, é possível não pensar no fim? A pesquisa inspira cuidado e método, continuamos a conversa depois!

Um comentário:

TIAGO SÂNZIO disse...

ta ficando boa nisso heim... rs
vicia né?

aqui.. um dica: tente sempre colocar o texto justificado e se possível separar com espaço em blocos de um ou dois parágrafos... facilita a leitura!

Beijosss!