sábado, 13 de dezembro de 2008

2009- Azul



Segundo as sábias máximas de ordem mística, 2009 será o ano das grandes parcerias, isso porque 2+0+0+9 é igual a 11. Por sua vez, a soma de 1+1 tem como resultado o número 2. O argumento é forte, irrefutável. Não se duvida do cosmos. Ouvi essa explicação pitagórica de uma “estudiosa” do mundo astral. No fim do ano vale tudo, desde o panetone intragável até as numerólogas. Conjecturas e previsões estão liberadas pela crítica. Realmente gostaria de saber o que significa “ano das parcerias”. Creio eu que o crime organizado fechará bons negócios entre os seus pares. Talvez os casamentos e namoros fracassados ainda perdurem em 2009, em nome do número 2 e das parcerias. Sofrimento para uns, alívio para outros. Os sacerdotes modernos não são nem um pouco modestos. A bem da verdade os sacrifícios diminuíram, exceto o maior deles: agüentar os tarólogos e intérpretes dos astros. Cheguei a fazer meu mapa astral, mas me decepcionei, parece muito amplo e feliz. Crendices a parte, cultivo alguns rituais. Jogar papéis inúteis no lixo, fazer promessas impossíveis, enfim, esperar milagres que não virão. Ser mais prudente, ter um cadinho de bom senso, não gastar todo o dinheiro com os amigos em volta de uma boa mesa etc... Como tudo é permitido na presente data, inclusive os truísmos mais piegas, lá vai minha lista:

Não aceitar convites por educação e nem ser educada quando é desnecessário;

Frases menos impactantes e amizades menos inúteis.

Voltar à academia e me lembrar das refeições.

Acalmar o coração, mesmo que superficialmente.

Doar meus periquitos que me entediam e sujam o chão que não quero limpar.

Ver o mar

Beber menos e melhor, em boas ocasiões, se e somente se estiver ao lado dos meus pares.

Como meu ano é o 5, investir nas roupas azuis.

Enfim, gastar todo o meu dinheiro com os amigos em volta de uma boa mesa!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Diálogos com meu amigo Darim!



Façamos uma aposta: Cada um é o que pode ser! Mesmo que não mais acreditemos na idéia de “natureza moral” sobra-nos aquela impressão de identidade e constância perceptível no outro. Quando a regra não resolve as pendências nos surpreendemos – “como pôde agir daquela maneira?”. Assim fazemos uma espécie de catálogo de caracteres, criamos os tipos morais com a nossa medida “nada universal”. E como falhamos nesta tarefa! Falhamos a todo o momento. Nosso método não é nada científico, a não ser pela capacidade que temos de criar os conhecidos argumentos ad hoc. Julgamos, sem reconhecer que julgamos, e mesmo quando dizemos: “isto é um fato” ainda fazemos julgamentos, mais ou menos precisos. A consciência, produto quase sempre nascido de nosso auto-engano, estabelece as distinções do julgar. Isenção, experiência, espírito apurado, noções avaliativas bem delineadas e boa-fé são os elementos necessários. Problema posto: estas são as noções mais incertas que poderíamos forjar. Sua permanência também é um efeito da consciência, um estado aparente de coerência e estabilidade. A parte tudo isso, julgamos. E porque não o faríamos? Entre os juízos alguns se destacam. O juízo vacilante diz – tenho certeza de que é assim, como poderia não sê-lo? O juízo cético prefere dizer – pode ser que sim, pode ser que não. O juízo tirânico ataca – está provado que sim e isto é um fato. O juízo parcimonioso dirá – parece-me que esta é uma solução razoável. O juízo filosófico volverá contra todos a seguinte observação – sob todas as perspectivas mencionadas, a do vacilante, do cético, do tirânico e do parcimonioso, há um conjunto de pressupostos morais que faz com que seus posicionamentos digam mais deles próprios do que do fenômeno em si. O objeto pesquisado? Ah, este é somente um ponto em comum para o desfile de suas vaidades! Boa interpretação? Ou mais um juízo particular? Os dois. E porque não podemos juntar palavras como: verdade e experiência pessoal? Porque ainda devemos tributos à metafísica e à modernidade a ponto de aceitarmos como indubitável o afastamento entre a experiência e a noção de verdade? Falando de si, desde que apurada a forma, falamos do todo. Montaigne é o nosso argumento de autoridade. Antes de Descartes e já tão pós-moderno! Dizia o fidalgo – cada ser humano porta em si a forma universal da humanidade. Estendendo a conclusão à questão inicial podemos dizer – julgando a partir de si, desde que apurada a forma, julgamos bem! Se o “si” pode ser medida de verdade e talvez a única medida, vale a pergunta: não terá o homem que conhecer-se profundamente? O fenômeno do vivido e a sedimentação do caráter não deveria merecer o mais alto posto nas conversas filosóficas? Porque se a minha experiência é a medida do meu juízo vale a equação: quanto mais rico é o meu viver, mais rico será o meu julgar. Enriquecer o vivido não é tarefa da filosofia. A ela cabe a potência reflexiva sobre o vivido, mas não a matéria do mesmo. A arte sim, esta pode conferir traços mais dignos às misérias existenciais. Viver como se fôssemos uma obra de arte inacabada cujo final não poderá ser por nós contemplado. Diante da morte a obra é apresentada aos outros e será grandiosa ou vulgar, a depender da forma tomada até então. Diagnóstico cruel? Talvez, verdade necessária! Tomar-se a si mesmo como um fenômeno estético, digno de ser percebido, penso que eis a tarefa maior. Ter consciência que aquilo que aparece é tudo que temos, porque tudo nos aparece de alguma forma. Para além da aparência apenas há uma outra aparência da essência percebida. Desfeito o dualismo o que sobra? O efeito, a superfície, a escritura, o aparente. E nem todas as aparências se equivalem, existem as nobres e as vulgares e entre uma e outra cor uma gama infinita de matizes.

Rapidinhas dogmáticas!



Espasmos



Não seria a depressão aquilo que os antigos denominavam como “melancolia”? Certo mal estar nauseante que faz o homem trocar tudo que é ativo e está em movimento pela apatia do sono ou da reclusão? Certo sorriso amarelo para a vida, olhar de gato quando acorda, como se dissesse: grande coisa estar aqui! Será que tal melancolia tem a ver com o modo de vida que levamos? Burgueses apáticos. É o que sugere Buñuel em seu Anjo Exterminador. Sair para que? Para onde? - vamos ficar, aqui é mais seguro. A pura falta de energia e força para o novo. Isso o velho Nietzsche já o sabia: o homem moderno não sabe sair nem entrar.



Talvez desse não-saber-o-que-fazer tenha origem a imensa quantidade de quinquilharias que inventamos ao nosso redor. Adornos que devem dar sentido, preencher os vazios, sempre mais fundos que qualquer tentativa. Alguns menos fundos se contentam, para os outros existem quinquilharias gigantes. Para o homem que se sabe vazio é preciso outros preenchimentos, mais sutis, mais autênticos. A escrita é um deles.



A escrita é patética, interessada e terapêutica. O verdadeiro escritor não escreve para os outros, escreve para si, purgando-se de tudo que o sufoca, prende. Outras escritas feitas para informar, formar, instruir, advertir, essas e todo o resto se dividem em duas classes: retórica e manuais de auto-ajuda.


Quem é o leitor? Nenhum compromisso tenho com os leitores, talvez nem chegue a ter um deles algum dia. Quando conserto uma frase ou tento escrever de maneira mais inteligível faço-o por mim mesmo, com o único interesse de que a idéia que se passa naquele momento em minha mente não seja mal expressa através das palavras. Quem escreve para o leitor constrói discursos, sempre adequados a uns e antipatizados por outros. E o que isso tem de importante? Agradar ou desagradar não me interessa.



A vida interior de cada um é, para o próprio indivíduo, a única coisa digna de verdadeira preocupação. O modo como se vive também é a única matéria realmente importante a se pensar. Por último, o significado da morte é tão somente o assunto que mais nos leva a mudar nossas vidas.



Quem somos nós? Ganhamos muito se descobrirmos o significado ou pelo menos alguns traços do próprio eu, ao invés de totalizarmos as experiências singulares assumindo compromisso com qualquer axioma da natureza humana. A tentação de generalizar é tão grande quanto é comum a preguiça de afirmar categoricamente o relativismo absoluto. Tentando ficar entre o lá e o cá, ainda assim, não ganhamos muita coisa. Talvez voltemos a investir nos manuais da Corte como os de Pascal ou Gracian. Talvez a leitura do dia seja: Os Caracteres Humanos, do Conde de La Rochefocault.



Estão tentando matar o Eu, depois de matarem, ou tentarem matar Deus, o sentido, o autor etc... Ou será que já conseguiram e “eu” ando, por assim dizer, iludida de mim mesma? Anyway, prefiro acreditar que ainda sobrevive alguma identidade ou pelo menos a sua ilusão. Qual a diferença entre a existência factual e a existência imagética? Para os equívocos mais variados isso não importa muita coisa. Além do mais, brincar com a morte do “eu” já virou uma tendência cult (Shakespeare não podia imaginar que o tataraneto intelectual de Hamlet escreveria uma tese de doutorado).



- Estou fora de órbita; - não vejo sentido no mundo; - tudo é perspectiva; Sem considerar a validade destas frases percebe-se o quanto elas caíram no gosto do povo. Ai de quem não admitir a perspectiva em meios acadêmicos. Inventamos a estética da melancolia e do niilismo. Construímos discursos sobre o não-ser a todo o momento como se isso fosse muito simples de digerir. Ao mesmo tempo em que bradamos o fim da verdade, marcamos a consulta no psicanalista e corremos atrás das receitas de medicamentos antidepressivos. Estou enganada ou sobraram parafusos na montagem da estante? Será mesmo que sabemos, vitalmente, sobre tudo que dizemos? Mais um ponto: será que queremos a vida que contamos ou fingimos que aceitamos para entrar na ordem do “normal”. É pelo desejo de normalidade que enlouquecemos? Paradoxal isso.



A questão continua: trocar a tradição pelo quê? Se a questionamos algum dia é porque a velha matrona cheirava mal a alguns narizes mais sensíveis, disso não duvido. O que pergunto é: o quê colocamos em troca? Alguns mais ferrenhos me diriam: não queira nada em troca, mulherzinha! Desculpe minha mesquinharia feminina, mas prefiro um urubu na mão, cheirando mal e me fazendo companhia do que duas andorinhas amarelas no horizonte. Falo por mim, mas não almejo só a minha pessoa, solidão é uma casca dura demais para vestir e ainda suportar o mundo.



Algumas coisas nesse novo paradigma me favorecem. Não poderia ser acusada de “incoerência”. Retoricamente falando, eis um bom argumento. Mas eles não abandonaram o princípio da não-contradição. Seria deixar a mala mais importante para trás. Até os perpectivistas, dentro de um corpo de explicações particular, precisa do princípio. Como disse, penso que é uma questão de estética, há um prazer em afirmar o nada. Há um prazer em se sentir superficialmente no fundo do poço.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Je ne sui pas un femme facile


Nossa sociedade, que se diz emancipada de mitos e preconceitos sobre a condição da mulher, ainda tem muito a explicar. Quando digo: nossa sociedade, incluo a todos, homens e mulheres, cada um com a sua parcela peculiar de contribuição para a proliferação de uma perspectiva mesquinha e humilhante sobre o sexo feminino. Trata-se não apenas de uma simples perspectiva teórica, mas de uma verdadeira incorporação daquilo que julgam ser o quinhão e o destino da mulher, perpassando desde os momentos mais cotidianos até os mais importantes.
Justamente o que penso desta perspectiva ou deste discurso sobre a mulher é o que eu gostaria de tentar apresentar daqui em diante. A metodologia que utilizo aqui é aquela criticada no meio científico, que não fortuitamente é composto, na sua maioria, por “homens” marcados pela exigência do método more geométrico. Não tenho dados quantitativos, não recorro às estatísticas e nem mesmo às amostras uniformes. Não me importo se a comunidade científica ou filosófica reconhecerá ou não a profundidade e a validade do que eu digo. Enfim, não escrevo para acrescentar nada à história dos estudos sobre o preconceito sobre a mulher. Escrevo com o simples intuito de esclarecer a mim mesmo o que eu sou. Vale dizer, nessas linhas estão presentes certas ponderações marcadas especialmente pela parcialidade e pelo interesse.
Na história da filosofia clássica a experiência não é vista com bons olhos. Já para o senso comum ela parece ter um papel de grande destaque. É a partir da experiência que todos falam e, consequentemente, julgam. Confesso que nem toda experiência ou vivência é lá muito produtiva e que nem todo discurso ou opinião merece ser ouvido. Mas em se tratando deste assunto, da condição da mulher, acredito que é delas, das mulheres, que uma espécie de manifesto empírico deve surgir.
Desde que eu nasci e isso já faz algum tempo, escuto e reproduzo determinadas proposições sobre a mulher. Hoje reproduzo muito menos os discursos mais degradantes e preconceituosos, mas percebo que restam vestígios, não muito sutis, desta mesma perspectiva. Enganamos-nos muito sobre o fim do preconceito porque os gestos mais absurdos são até mesmo criticados e abominados pelos próprios homens. Daí pensamos: ora, o mundo mudou e mudou para melhor. Hoje em dia a mulher se casa por amor, tem quantos filhos quiser e ainda pode ganhar mais que o marido em sua profissão. Por mais ridículo que possa parecer este discurso ele tem a sua eficácia, já que há apenas duas, somente duas gerações anteriores, isso não era óbvio.
Um passo a mais (para mulheres crentes de sua emancipação): é possível escutarmos outro discurso, esse mais ousado: o que defenda a total desvinculação da maternidade e do casamento para a realização da essência feminina, já que estas não são condições para que as coitadinhas sejam efetivamente felizes. Vejam bem, mesmo considerando todos estes discursos que acredito, sinceramente, serem de autoria dos mesmos feitores que defendiam a mulher do forno e fogão, não aposto nem um dinheiro de que isto reflita e resolva a verdadeira condição da mulher em nossa sociedade (Brasileira... Mineira... Divinopolitana – com todas as ressalvas da minha anti-metodologia). E porque digo isso? Basta olharmos um pouco a nossa volta e percebemos que nem somos tão mais esclarecidas do que nossas avós. Sofremos do mesmo mal que as anciãs, só que de modo diferente. Ainda hoje somos definidas sempre em frase comparativas. Se gostamos de futebol, atenção, não temos o direito de desconhecer as regras, devemos saber profundamente qual é o esquema tático, os melhores jogadores em uma determinada posição (vá lá: médio-volante) e não podemos cometer gafes em nenhuma ocasião. Pois se algum deslize é cometido não somos julgadas como más-entendedoras do esporte, somos contempladas com dois julgamentos possíveis: um complacente e caridoso que nos perdoa pela burrice, afinal, somos mulheres; outro mais grosseiro (neste caso, a mulher certamente não está na condição de fêmea solteira no cio) nos cobra mais rigor e atenção, afinal se você quis entender de algo que não lhe diz respeito, ora, é preciso saber e saber bem. Em relação aos trabalhos domésticos vivemos o deslumbramento tecnológico e ou financeiro. Passamos as tarefas domésticas para as máquinas e, quando possível, para as faxineiras. Sabe quem limpa minha casa quando a sujeira torna-se insuportável? Adivinhem? Uma mulher, uma mulher negra e faxineira. Grande emancipação conquistamos, passamos o sub-serviço para outra mulher que quase sempre nem é vista como participante do mesmo gênero que o nosso. Engraçado, não? A definição da mulher, a nossa condição passa por caminhos complexos. Não basta nos livrarmos do óbvio, é preciso caminhar mais e caminhar melhor. A relação homem-mulher (minha incapacidade teórica e empírica obriga-me a deixar o caso das lésbicas de lado, pelo menos por hora) é segundo penso, o lugar mais apropriado para encontrarmos a contraprova aos avanços do sexo feminino em nossa sociedade. Daqui em diante assumo todo o risco de ser parcial e conto apenas com a expectativa de que algumas leitoras identifiquem-se com minhas descrições e corroborem meu pensamento.
Sutilmente, e ai encontra-se o perigo, os homens nos colocam no lugar que nos foi reservado pelo discurso dominante. A subordinação não se apresenta como tal, mascara-se de diversas formas, sempre belas ou práticas.
Diz o homem: - querida, é mais prático que você cuide da nossa alimentação, afinal você cozinha tão bem meu amorzinho e eu seria um desastre na cozinha.
Responde a mulher: benzinho querido, você falando desse jeito é claro que eu vou cuidar de tudo.
Continua o homem: olha amor, depois eu lavo a louça para te poupar.. Você sabe que faço tudo por você, não sabe?
Finaliza a tonta com um sorriso angelical dizendo para si mesma: nossa! que homem maravilhoso, compreensivo, adoro cuidar de nós dois. Vejam bem mulheres, a tarefa é, por natureza, vista como pertencente à mulher, mas, em casos extraordinários, geralmente ocorridos nos dois primeiros anos de casamento, o homem agrada sua mulher “poupando-a” de mais uma tarefa natural e feminina: lavar a louça. Em outros momentos, quando o assunto em pauta no recinto é o do casamento, minha nossa, a prerrogativa do desejo é sempre da mulher. Nem mesmo a minha experiência de ex-casada vale nesse momento. Todos tendem a pensar o quanto seria maravilhoso para a mulher ser pedida em casamento. A bem da verdade, eu preferiria fazê-lo eu mesma, e olha que já fiz, mas não, a prerrogativa do pedido é sempre do sexo forte. Querelas a parte, se eu engravidasse um homem, casava na hora! Oh pobres seres femininos, o que será de nós? Talvez seja preciso inventar uma outra linguagem e um outro mundo para as nossas consciências livres, um não-lugar!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Dear Vogler! Mulheres à venda!



Alexandre Vogler, artista plástico, provavelmente mais um adepto da arte conceitual, lançou em Bh sua mais nova exposição: "Base para unhas fracas". As fotos apelativas causaram reações esperadas e revoltosas. Absolutamente não se trata da venda de nenhum produto, acreditem! Eis um exemplo do que podemos chamar de hipérbole artística. Mas poderiam me perguntar ou mesmo perguntar ao artista o que ele realmente quer com isto? Arte conceitual: o que a exposição provoca é o espanto, sentimento já quase esquecido pela sociedade do espetáculo. Um espanto que faça o espectador olhar para seus próprios valores, tão arraigados. Mulheres podem ser "usadas" para vender qualquer coisa, utilizando de partes de seu corpo desnudo, em propagandas de cerveja, chinelo, adoçante, batom etc... Ponto pacífico: as mulheres, com seus pedaços de corpos, nos persuadem a comprar! Ponto não pacífico e origem da intervenção artística de Vogler: os pedações de corpos são a prova da reificação da mulher em nossa sociedade. WARNING! Ei mulheres, somos tratadas como coisa que serve para vender outras. Te assusta a imagem de Vogler? Mas porque não te assustas com todos os outros usos da mulher? Sutilezas a parte, é na criação absurda que ainda é possível assustar-se com os seus próprios valores. Diga-se de passagem: valores coisificados em relação ao sexo feminino.


Vídeo, pintura, fotografia e escultura de Alexandre Vogler. Galeria Carminha Macedo, Rua Bernardo Guimarães, 1.200, Funcionários, (31) 3226-3712. De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 14h. Até 13 de dezembro. Entrada franca.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

As mulheres de Bilac






Abram-se às mulheres todas as portas! Porque, enfim, nós, os homens, já temos contribuído tanto para plantar na Terra o domínio da tolice e da injustiça — que não era mau saber se o outro sexo não é capaz de ter mais juízo do que o nosso!…

Olavo Bilac. In:Gazeta de Notícias 18/8/1901

Primeiro encontro




A empreitada não é fácil, escrever é uma arte escorregadia! Ter algo interessante para contar é bastante comum, o problema é dar aos pensamentos uma bela forma. Tarefa própria da retórica e cara aos filósofos e homens da literatura. O estilo é quase uma espécie de modo de viver, junto com a bela letra quase sempre estamos diante de um pensamento forte, que vale a pena ser descrito. Vejo a escrita como um acesso ao conhecimento. Porém, dura é a dor do parto. E o rebento deve vir bem formatado, caso contrário corre-se o risco de não vingar. Espero nesse meu novo cantinho expressar algumas idéias, insurgir contra algumas bobagens da sociedade espetacular e, principalmente, dialogar com meus pares. Eia, tentemos!